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sábado, 22 de abril de 2017

Encantadoras de palavras.





Encantam-se súditas palavras,
com o leve toque de um cajado.
São pastoras de emoções raras,
recolhem o poema desgarrado.

Cada suspiro dessas escritoras,
revestem-se numa real beleza,
que o Deus na ação criadora,
coloca as mãos em delicadeza.

Vive-se no jardim a harmonia,
Nobres poetisas e jardineiras,
Podam versos floresce poesia.

Espalham versos por cortesia,
Inspiram, rompem fronteiras.
Eternizam poesias com magia.



Toninho.
22/04/2017
Meu outro blog: momentos e inspirações.

Uma homenagem a estas iluminadas poetisas que me inspiram sempre.

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Um bom domingo 
para uma semana
Maravilhosa.

sábado, 15 de abril de 2017

O olhar que afaga.




Eram apenas dois cisnes negros naquela lagoa. Eles perceberam que os olhares se concentravam nos Cisnes brancos. Assim tristes e cabisbaixos o casal se retirou para um canto do lago e ali se consolavam até perceberam o olhar de uma criança toda encantada com o brilho de suas penas. Havia no olhar carinho e amor daquela criança.

Assim numa espécie de retribuição eles se emplumaram e começaram uma espécie de dança, que todos os olhares se voltaram para aquele canto do lago e o menino em festa, gritava para sua vovó fotografar e filmar a dança. Diante aquela algazarra da criança, todos os outros cisnes brancos do lago também entraram na dança e foram se juntar aos cisnes negros, agora felizes por não se sentirem desprezados.

Numa noite o menino revia as fotos e o filme com os cisnes e perguntou à sua vovó, quando voltariam para rever os cisnes, pois tinha medo, que eles pudessem bater asas e nunca mais aparecerem. Mas sua vovó muito sabida, explicou que os cisnes não são aves migratórias e que com certeza eles estariam no lago e agora felizes depois daquele dia, que o olhar do menino mudou a vida deles. O menino sorriu para a vó e adormeceu sonhando com os cisnes agora com seus filhotinhos.

Toninho

15/04/2017

Inspiração para a BC_botando a cabeça para funcionar projeto da Chica e Neno aqui: chicabrincadepoesia

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Uma Feliz Páscoa 
para todos.
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terça-feira, 11 de abril de 2017

Passarinho viajor.



Conheci o passarinho viajante,
que voa por terras brasileiras.
Honra receber nobre visitante,
Triste por saber ser passageira.

Assim voa o passarinho viajor,
Canta e encanta nosso jardim,
Já tão ressecado pelo desamor,
Com esperanças de paz enfim.

Quem o conhece sabe a nobreza,
que lhe fez viajor da esperança,
pois quis sua criadora à certeza,
que cada voo levaria a bonança.

Verdinho deixou uma saudade,
incrustada nos cantos da casa,
ali pousou, deixou uma saudade,
que vem, arde como uma brasa.

Toninho

10/04/2017

veja mais no meu outro blog um-passarinho-viajante


Nota:
Inspiração daqui: fractaisdecalu.blogspot




quinta-feira, 6 de abril de 2017

Aquele vestido branco



Quem passava pela rua via um vestido numa varanda. Pela manhã e tarde uma velha senhora a espreita-lo e acaricia-lo com mãos tremulas, como se fosse à pessoa que o vestira. Parecia ritual, quando o sol se punha surgia um som de valsa em uma vitrola e o vestido era retirado do varal abraçado como delicadeza. Desfilava com ele colado ao corpo como numa dança. Não havia tristeza na cena.

Na manhã com os primeiros raios solares ela aparecia com o vestido pelas mãos como uma mãe a embalar seu filho. Ali na varanda ela ficava momentos nesta postura, até que o pendurava em uma das cordas do varal. Lançava um ultimo olhar e desaparecia na solidão de seu casarão.

Numa tarde de Outono ela não apareceu na varanda, para retirar o vestido, o que gerou curiosidade e preocupação aos vizinhos, acostumados com a cena ao som de uma valsa com som distorcido de um “long play” arranhado de tanto uso. A velha senhora morava sozinha e às vezes se via outra senhora estranha à rua, entrar e ficar horas no casarão geralmente pela manhã após o ritual. Naquele dia ela também não aparecera e a noite cobriu o casarão, sem que o vestido fosse retirado do varal.

Ao aproximar-se da meia noite, um vizinho percebeu um facho de luz na varanda.  Assustado viu o vestido deslizar no varal de uma extremidade para outra, como se valsasse. Gritou para a mulher que medrosa se recusou. De repente os acordes de um piano ecoaram na madrugada nevoenta. Uma ventania estranha arrancou o vestido e desapareceu pela rua para horror do vizinho, que gritou loucamente na madrugada silenciosa.

Na manhã seguinte contou para a vizinhança descrente do fato, mas estranhando a falta do vestido na varanda. Próximo do meio dia um movimento na porta do casarão chamou a atenção da vizinhança. Um policial saiu da casa e disse que havia um pedido de socorro na central, mas ninguém se encontrava no casarão, apenas um piano estragado e uma vitrola velha com vários discos empoeirados de valsas, além de um encardido e surrado vestido jogado sobre o braço de uma cadeira de balanço. As pessoas se entreolharam e aquele vizinho foi internado numa clinica psiquiatra.

Toninho.
05/04/2017

Outras inspirações minhas: Momentos&inspirações

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Conto na participação da BC_botando a cabeça para funcionar que a Chica promove aqui:chicabrincadepoesia participe é livre.